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Música independente brasileira

Resenha - Grito Rock 2016 Ribeirão Preto Curumin

02 de maio de 2016 Resenhas /

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foto: Coletivo Fuligem


Por Eduardo Porto


Mais uma edição do festival Grito Rock começou em Ribeirão Preto. O lugar escolhido para o ponta pé inicial foi no Galpão do Sesc. A atração foi Curumin e toda sua carga e experiência musical.

Antes do show começar, o movimento já indicava que o espaço ficaria cheio, tanto pelo poder da atração escolhida, como pela estrutura que o Sesc oferece e pelo histórico do festival na cidade. Munido de uns 12 moving lights, o palco ficou tomado por "tubos" na cor roxa vindo de baixo e de cima, indicando o início do show. Sobe ao palco o trio comandado por Curumin junto a Zé Nigro e Lucas Martins. A bateria centralizada no palco em cima de um praticável, os dois microfones bem perto um do outro e ainda um case do lado esquerdo cheio de equipamentos para disparar samplers, controlar efeitos de voz e outras coisas, é o que mais chama atenção,  ainda mais pra quem é baterista. Não é comum a gente encontrar uma banda em que o vocalista é o baterista. Em que o frontman é o baterista. E isso já subverte o senso comum de ter um cara na frente dançando, se jogando no chão e puxando palminhas com o público. Curumin não precisa disso. Ele apenas pega suas baquetas e começa "Vestido de Prata", do disco Arrocha lançado em 2012. O timbre da sua bateria e o seu groove já desperta algo diferente nas pessoas que se aproximam ainda mais do palco. Sua caixa soa com uma marcação incrível que faz com que ninguém pense o quão diferente e raro é ver aquele tipo de mapa de palco. E tudo flui.

A segunda música traz a faixa "Mal Estar Card" do seu segundo disco "Japan Pop Show" e a apresentação já toma um rumo mais agitado. Parece que pelo ambiente político que passamos, o público se identifica ainda mais com a frase "Cadê minha fatia do filé? O osso é duro de roer" ainda mais acompanhado por "divide o din din". Depois é hora de ir pro primeiro disco do compositor, a música "Samba Japa" do disco "Achados e Perdidos". Nesse momento outro elemento chama atenção: mais uma vez rola um contraste bem forte das luzes. Com o fundo roxo e os movings verdes, dá para se ouvir os comentários sobre a iluminação e também dá para perceber isso pela quantidade de celulares que sobem para tirar foto ou registrar um vídeo.

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foto: Coletivo Fuligem

O show continua e consigo lembrar da hora que chegou "Afoxoque" e depois "Kyoto". Foi o momento que Zé Nigro pendura seu baixo e Lucas Martins a sua guitarra para colocar as mãos em ação nos synths e outros equipamentos posicionados ao lado de cada um. Na sequência vem "Caixa Preta" que mais uma vez parece ter maior identificação pelo público. No meio na música, um improviso que não está no disco, questiona a violência aos estudantes que foram as ruas protestar e também a manipulação da grande mídia que no final "não fala nada". A última música continua nessa sequência de posicionamento político. Com "Magrela Fever" os gritos de "Não Vai Ter Golpe" é puxado, sendo acolhido no mesmo instante pela platéia.

Chega o final do show ao som de outros gritos. Dessa vez gritam "mais um" e a banda retorna ao palco para tocar "Esperança". Não haveria faixa melhor para terminar a mensagem que foi dada durante todas as músicas. É pedindo para todos cantarem que Curumin cria uma corrente final, como ele mesmo disse, com a frase: "todo mundo quer amor e paz na terra".

Eduardo Porto é baterista da Aeromoças e Tenistas Russas, um dos fundadores da agência Let's GIG que trabalha com circulação de artistas independentes e também apresentador do programa Independência ou Marte da Rádio UFSCar.

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O SOULROCK é um site que tratará a nova música independente brasileira. As conexões com o passado e suas reverberações com o futuro.Vai mostrar também a cena autoral ribeirão-pretana de um jeito jamais retratada.
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