SoulRock

Música independente brasileira

Far From Alaska

10 de março de 2015 Bandas /

alaska
Foto: Jomar Dantas.

Por Leandro Barcellos.

Falar sobre "Stoner Rock" no panorama musical atual é uma coisa complicada. Primeiro porque o estilo, desde seu surgimento lá no fim dos anos 80 até seu apogeu agora nos 00s passou por mudanças e adaptações - cada banda era Stoner do seu jeito. Stoner Rock sempre foi bastante abrangente tendo como características realmente marcantes o timbre das guitarras e o andamento das músicas. E segundo porque depois da onda de “revivals” e de toda a “salada musical” que a música pop se tornou colocar uma banda em um determinado rótulo é um trabalho cada vez mais difícil.

E é nessa confusão de estilos e mistureba de referências que modeHuman, debut do grupo “potiguar” Far From Alaska nos é apresentado.

"modeHuman" é um disco direto. Bem executado instrumentalmente e na produção que fica a cargo de Pedro Garcia (DeckDisk). O disco se apresenta como Stoner/Garage Rock, rótulos esses que “dão pano pra manga” para intermináveis discussões, mas vamos nos ater ao simples. São 15 faixas e um hidden track que nos trazem guitarras graves que abusam do Fuzz, mas não dos chiados. Uma bateria certeira e frenética acompanhada por um baixo “cabeçudo” e um micro-korg com direito a vocoder. Tudo isso liderado pela voz forte e presente da vocalista Emmily Barreto.

Apesar de não inovar nas composições, a banda sabe muito bem usar suas referências e se expressar de forma original. Thievery, música que abre o disco, é um prelúdio para tudo o que vamos encontrar ao longo do disco e traz um dos melhores riffs de guitarra do ano.

Dino vs Dino
é o Stoner: Um paredão sonoro grave de guitarras empurrado por uma bateria devagar e marcada, como se a música fosse literalmente se arrastando até o final somente guiada pelos vocais de Emmily e Cris (Botarelli).

Mama, Greyhound
e Communication são faixas que flertam com o Pop Punk e o Hardcore. Mas não se engane, não por isso elas se tornam ruins. Ao contrário, com refrões poderosos são as três faixas que jogam mais o disco pra cima fazendo o ouvinte chacoalhar a cabeça ou batucar no volante.

É a partir de The New Heal que os synths começam a aparecer mais. Até que nos é apresentada uma das canções mais legais do disco: modeHuman pt I , um industrial sobre um amor de robô que tem sua continuação dramática quando Monochrome termina e nos deparamos com a hidden track modeHuman pt II.

Com um disco bem amarrado, um EP e um Single já debaixo do braço – Isso sem contar os dois videoclipes que são muito bons e as vicerais apresentações ao vivo – O Far From Alaska traz a mesma força do Stoner/Garage Rock que trouxe a Pitty no início de sua carreira. E ainda vem incumbido de uma difícil missão: Chegar ao mainstream do rock brazuca com letras em inglês.

Ouça o som do FFA:
https://soundcloud.com/farfromalaska

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O SOULROCK é um site que tratará a nova música independente brasileira. As conexões com o passado e suas reverberações com o futuro.Vai mostrar também a cena autoral ribeirão-pretana de um jeito jamais retratada.
O caldeirão está aberto.