SoulRock

Música independente brasileira

Pra onde é que ele foi?

26 de fevereiro de 2015 Resenhas /

mauricio
Foto: Gal Oppido

Por Leandro Barcellos

Escrever sobre Maurício Pereira é um trabalho difícil. O cara além de excelente músico é também ator, escritor, compositor, jornalista e mais uma porrada de coisa. Tem seis discos na bagagem, sendo dois de canções covers com o Carnaval Turbilhão e quatro de canções próprias. Além dos dois discos d'Os Mulheres Negras, banda que formou com André Abujamra nos anos 80. A dificuldade em escrever sobre o Maurício está nas suas “multifaces musicais”.

Se em Na Tradição, primeiro disco do compositor encontramos um Maurício mais “doidão” experimentando por vários estilos, em Mergulhar na Surpresa temos um Maurício mais lírico, intimista, sóbrio e em Pra Marte o encontramos paulistano extremo que escreve com o vocabulário da grande São Paulo, da perspectiva da grande São Paulo e sobre a grande São Paulo.

Foram cinco anos sem inéditas até que em Novembro de 2014 Maurício nos presenteia com mais uma pérola: Pra Onde Que Eu Tava Indo.

À primeira audição fica claro: Se nos três discos anteriores Maurício vinha peregrinando por várias escolas de poesia e estilos musicais, aqui ele faz o equilíbrio entre todas essas andanças.

Notícia e Criancice são duas músicas que poderiam muito bem ter estado em Mergulhar na Surpresa. Letras simples de sensibilidade absurda sobre os mais puros e singelos sentimentos do ser humano. Notícia ainda é o bruto do bruto. O bruto que remete ao samba de rua dos engraxates paulistanos do Século XX – que também nos remete à Pra Marte – batuque na latinha de graxa e voz.

Pra Onde Que Eu Tava Indo, Medrosa e Fugitivos são as canções Pop dos anos 80 que Maurício escreveu pro Na Tradição mas guardou. Ao menos, em aparência. Os cantos em coro, o reverb da guitarra, o timbre morno da bateria que aparenta ser gravada com dois overs.

Andas Secas, Ciao Amore, Ciao e Deixa Eu Te Dizer tem a sobriedade paulistana do Pra Marte. Na ambientação da música sentimos o frio do concreto, a multidão na rua, a agonia da pressa do paulistano.

Os olhares de um flauner-paulistano para as mais simples e diversas situações da vida. Além de explorar as palavras, seus significados e sonoridades. É incrível o fato de um cara que escreve tão bem como o Maurício ter tão pouco disco. Isso é explicado pelo próprio que afirma que na escrita não é tão rápido quanto na fala. Por isso é necessário devorar todos os discos do cara. Está ai mais um.

Ouça os Mulheres Negras com Mauricio Pereira:
https://ouvirmusica.com.br/os-mulheres-negras/

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